segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Av. de Ceuta|Casal Ventoso_percursos


análise


O Vale de Alcântara perdeu com o tempo as suas qualidades. Rasgado pela Av. de Ceuta , apenas recentemente o seu limite se viu desapropriado das construções precárias que nela foram surgindo.


análise_áreas indefinidas 








































Após a demolição destas edificações, o vazio abandonado proporcionou à população percorrer, ainda que com alguma dificuldade, a inclinação da colina. Estes percursos de pé posto foram ficando mais marcados,  aumentando de dimensão, cicatrizando a colina.



proposta


proposta_múltiplos espaços públicos






























Tendo como pretensão o vencimento das cotas, e tornando base os percursos já criados, a aplicação de uma malha ortogonal composta por plataformas proporcionaria um percurso confortável assim como espaços que poderiam servir a população em redor; como horta comunitária, como parque, como campo de jogos, funcionando quase como um "quintal" público, restruturando toda a vivência daqueles espaços, não aproveitados agora.


































Ao criar estas duas âncoras, a zona habitada da colina ficaria rematada, tornando habitável todo o espaço nelas contido, retirando aqueles espaços o seu potencial marginalizador. 



ATRAVESSAMENTO PEDONAL 24Julho (2 fases da proposta)

ATRAVESSAMENTO PEDONAL
Av. 24 Julho _ Rua Boqueirão dos Ferreiros _ Rua D. Luís I


Localização da Proposta

A proposta baseia-se na identificação de alguns problemas da cidade: como percorrer a cidade a pé? Como podemos melhorar os espaços públicos que ela oferece? Como conciliar a vivência pedonal e a viária?

Ao deambular pela cidade, o peão sofre uma grande pressão e corre alguns riscos... Um deles é o difícil atravessamento das pequenas, médias e grandes vias.
Com base neste problema, foquei a proposta de intervenção numa zona da cidade de Lisboa que frequento diariamente: o atravessamento da Av. 24 Julho / R. Boqueirão dos Ferreiros / R. D. Luís I e o vazio expectante existente no cruzamento destas vias.

Ortofotomapa_Localização_3 fases da Intervenção



 O EXISTENTE_espaço público_a pessoa_o automóvel

O EXISTENTE_a pessoa e o automóvel numa comunhão desregrada

O EXISTENTE_a vivência do espaço público desqualificado

Proposta

A intervenção divide-se em 3 pontos: desenvolvimento de um eixo de atravessamento pedonal que abrange as 3 vias referidas, marcado por um novo pavimento colorido a vermelho e elevado ligeiramente relativamente ao asfalto, sinalizado por faixas laterais pintadas a branco; qualificação do espaço público com a criação de um espaço permeável no espaço vazio existente, objectivado como um espaço de descanso que gera um novo vínculo com a avenida 24 Julho; geração de uma nova via de escoamento automóvel para a Av. 24 Julho, através da deslocação da existente na Rua Boqueirão dos Ferreiros para uma perpendicular à Rua D. Luís I, do outro lado do vazio urbano existente.

A proposta tem como objectivo potenciar o espaço público, tornando a vivência pedonal mais segura e aprazível para quem deambula pela cidade, como forma de chegar à sua verdadeira essência.


EXISTENTE vs PROPOSTA
atravessamento_eixo  24 Julho/R. Boqueirão/R. D. Luís I 


















EXISTENTE vs PROPOSTA 
via pedonal + zona de descanso + nova estrada (R. Boqueirão) 





































EXISTENTE vs PROPOSTA
atravessamento + via pedonal (R. Boqueirão + R. D. Luís I)





ATRAVESSAMENTO PEDONAL
Av. 24 Julho

2ª Fase da Proposta
Nesta 2ª fase da proposta a intervenção aborda o atravessamento e a vivência pedonal e automóvel da Av. 24 de Julho de forma mais consistente.
Em vez de somente um, são marcados vários eixos de atravessamento pedonal que ligam a avenida e suas perpendiculares. A marcação destes eixos é feita com pavimento colorido a vermelho.
Para criar um desaceleramento deste troço da avenida são marcadas faixas brancas, cuja distância entre si aumenta ou diminui de acordo com a aproximação ou distanciamento das zonas de atravessamento pedonal.
Numa 2ª abordagem, relativamente à vivência pedonal deste espaço público, são suprimidas 2 faixas de rodagem de cada lateral da avenida. Esta operação diminui o número de faixas a serem atravessadas e desenvolve zonas de descanso e sombra ao longo deste troço, através de uma repavimentação (calçada) e colocação de canteiros com vegetação rasteira e árvores.
No seu conjunto, a proposta procura requalificar a vivência pedonal deste espaço público, tornando-o mais seguro e calmo, para quem chega, passa ou pode descansar nesta zona da cidade tão movimentada.


 Ortofotomapa_Localização_Intervenção 




 Supressão das faixas de rodagem_Criação de zonas de descanso e sombra_Zebra de desaceleração
Sentido Cascais/Lisboa



Supressão das faixas de rodagem_Criação de zonas de descanso e sombra_Zebra de desaceleração
 Sentido Lisboa/Cascais _ Junto à Praça da Ribeira



 


_Travessa dos Pescadores

_localização

lisboa _ portugal



implantação



O ponto escolhido encontra-se paralelo a Av. Dom Carlos I, em zona próxima ao Rio Tejo, e o Cais do Sodré. A Av. Dom Carlos I e a Calçada do Marques de Abrantes junto ao largo do Conde do Barão têm calçadas largas ou alargamentos que geram lugares de estar, sendo muitas vezes apropriados pelas tascas e restaurantes. A Travessa dos Pescadores- área selecionada para intervenção- encontra-se completamente desqualificada e fora do contexto do seu entorno, sendo hoje usada como pátio de estacionamento e deposito de materiais inutilizados.


área de intervenção


registro fotográfico


registro fotográfico


registro fotográfico

_proposta

A proposta tem como objetivo requalificar a área tornando-a pedonal, dando continuidade na situação pré-existente, permitindo uma apropriação mais humana.


fotomontagem _ diruna


Tomo como principio que as áreas térreas edificadas devem ser sempre usadas para uso público, e o segundo pavimento deve ser usado para escritórios, deixando os demais andares, já mais afastados do barulho das ruas, para residências.

Visto que a maioria dos prédios da região não passam de 4 pavimentos, ao alimentarmos a idéia de que o térreo tem por “obrigação” caráter público e o segundo escritórios , proponho que como método de compensação seja liberado a ampliação de mais pavimentos de acordo com cada situação.

No caso estudado proponho que térreo tenha uma biblioteca, ou seja uso institucional ,que não gera renda ao proprietário do edifício, no segundo pavimento proponho uso de escritórios, sobrando apenas dois pavimentos para residências. Assim há uma compensação de três pavimentos, fazendo com que a obra se justifique economicamente e que exista a possibilidade de adensamento do centro com qualidade.


cortes esquemáticos _ propósta


fotomontagem _ noturna








domingo, 11 de dezembro de 2011

As águas de Alfama





localização de Alfama

Dada sua situação estratégica no território, Alfama sofreu ocupação de diferentes povos, caracterizando-se como um dos bairros mais antigos da cidade de Lisboa. A abundancia de fontes de água potável na região, foi um dos fatores que favoreceram sua ocupação, algumas beiravam os 34 graus. O nome Alfama, deriva do termo árabe Alhama, que significa fonte quente.

O primeiro estabelecimento termal com fim lucrativos, data de 1716, a alçaria do Duque de Cadaval, posteriormente em 1810 surgem os banhos de Dona Clara e Banhos do Doutor entre outros menores. É interessante que se denomine a estas casas o termo balneários públicos, já que suas instalações eram improvisadas se comparadas a uma Termas.




Mapa nascentes históricas e alçarias


Além do aproveitamento das águas de Alfama para os banhos terapêuticos, estes afloramentos possibilitaram a consolidação de uma dinâmica econômica, sendo altamente utilizadas em olarias e cortumes, para a lavagem de couro e lã. A denominação do Beco do cortume e das Alçarias, permanecem a indicar esta forte vocação do passado.



É interessante imaginar que estas nascentes, hoje perdidas sobre os arruamentos e casas, poderiam voltar a integrar de alguma maneira a paisagem urbana. As bicas e fontes públicas possuem a característica de transformar sua envolvente, de forma a criar uma forte relação com seu entorno, podendo gerar ao transeunte diferentes sensações, sejam estas térmicas ou sonoras com o correr das águas.

Em meu percorrido por Alfama encontrei inúmeras bicas, onde apenas 2 estavam a funcionar, uma destas na rua da Adica, protegida por uma parreira, que sombreia os bancos de madeira postos ao lado. Creio que a apropriação do espaço público pelos moradores é o primeiro passo para a revitalização destes antigos logradouros.



A intervenção

relação entre a cerca Moura(verde) e a cerca Fernandina ( vermelho) com as nascentes históricas


A maior parte das nascentes se encontrava fora da cidade murada, tendo suas áreas somadas ao tecido intramuros somente após a expulsão dos mouros. Em minha intervenção levo em conta os resquícios da muralha Moura, mapeando seu limite em relação as antigas fontes, indicando um percurso por entre os largos selecionados.



área de intervenção




1- Fonte do Largo da Judiaria






2-Fonte Largo São Rafael




3- Fonte das Ratas

recolha popular de garrafões- (Garcez, 1963)


Breve histórico. fonte das ratas.

1868- tanque passa para a posse da companhia das águas de Lisboa, tendo seus acessos vedados.
1880- o tanque é coberto, tornando-se depósito da companhia de águas.

(?) – nascente redescoberta com a demolição de um antigo muro pertencente a Alçaria do Duque
.
1963- 64- “Fonte das Múltiplas virtudes terapêuticas”, a reputação curativa de suas águas chega ao auge, se espalhando rapidamente. Grandes multidões se enfileiravam á espera de sua vez para recolher água.

A Fonte possuía a capacidade de 360 garrafões por hora

Ainda em 1963 ocorrem protestos populares contra o encerramento da fonte, que segundo as autoridades de inspeção da água, estava contaminada por resíduos de esgoto.

No início da década de 60 do século XX dada sua degradação é reconhecida pelos populares como fonte das ratas.

fonte: As Águas de Alfama- Memórias do passado da cidade de Lisboa
por Elsa Cristina Ramalho e Maria Carla Lourenço




fotomontagem intervenção- Fonte das ratas.



A intenção é reativar a fonte como espaço de lazer e memória.Onde antes existiu o tanque das lavadeiras, crio em em seu pavimento pequenas canaletas que ligam as águas da Fonte das ratas com o largo de São Rafael, situada em uma cota mais elevada. criando um percurso por entre o beco das barrelas até o largo das ratas.